segunda-feira, 10 de julho de 2017

COMPRAM-SE DEPUTADOS!


Tudo isso demonstra uma irresponsabilidade descomunal, que destrói o pouco que ainda resta da dignidade da política, porém, não desperta a ira dos falsos “combatentes da corrupção”, os militontos e nazi-doidos que de verde e amarelo iam às ruas bater panelas contra a mulher que “pedalava”! 






Por Antonio Cavalcante Filho




Esta é mais uma notícia daquelas do tipo “nada é tão ruim que não possa ficar pior”. Refiro-me à desenfreada distribuição de recursos públicos federais nas chamadas “emendas parlamentares”, com o intuito descarado de evitar o processo de cassação do usurpador, achacador e golpista Michel Temer.


Desculpem-me pela insistência na redundância, mas eu não posso deixar de criticar, com ênfase, e, ao mesmo tempo responsabilizar os coxinhas (ainda que me dê uma pena danada desses midiotas) que há uns 2 anos estavam nas ruas com a camiseta da CBF, xingando a presidente Dilma com o uso dos piores palavrões. É possível que muitos daqueles mono-neurônios ululantes não soubessem que estavam a serviço de uma quadrilha, mantida por setores da mídia, por recursos do sistema financeiro, dos interesses imperialistas, da cobiça dos rentistas sanguessugas e do egoísmo desembestado de ricos empresários sonegadores de impostos simbolizados no pato amarelo da FIESP, com o objetivo de vender o Brasil a preço de banana.


Me incomoda muito o fato de alguns coxinhas do “impitimismo” golpista ainda insistirem em dizer: “por mim o Aécio tava preso!”. Mentira, se fossem por eles e as madames batedeiras de panelas, o presidente da República brasileira hoje seria o sujeito que não se incomoda em envolver o primo, a irmã e a sua própria mãe nas tramoias que faz. E esse mesmo ex-candidato a presidente foi delatado por todas as empreiteiras processadas na Lava Jato, de A a Z, de receber propinas pagas a partir do faturamento de obras públicas.


Mas a tristeza “do dia” é que o clima de instabilidade que arruinou o Brasil, tirando-nos a esperança de dias melhores, acabando com empregos das pessoas e programas sociais para os empobrecidos, agora vai ficar bem pior. Com o oferecimento de denúncia criminal contra Michel Temer, que pode a qualquer momento ser apeado do poder obtido por meio de um golpe midiático-parlamentar-judicial apelidado de impeachment, e ainda amargar uma temporada numa cela quente e mal-cheirosa, ele resolve abrir o “saco de bondades” a custo de bilhões dos cofres públicos para negociar apoio parlamentar, a fim de continuar no cargo liberando as chamadas verbas das emendas parlamentares.


Tudo isso demonstra uma irresponsabilidade descomunal, que destrói o pouco que ainda resta da dignidade da política, porém, não desperta a ira dos falsos “combatentes da corrupção”, os militontos e nazi-doidos que de verde e amarelo iam às ruas bater panelas contra a mulher que “pedalava”!


Ao mesmo tempo que exige da população sacrifícios obscenos como a completa perda de seus direitos trabalhistas, a extinção das aposentadorias, congelamento das despesas com remédios e hospitais por vinte anos, numa total canalhice que apenas um governo corrupto, irresponsável, golpista e ilegítimo seria capaz de fazer contra a população, Temer, repito, ainda escancarou os cofres públicos e instalou um balcão de negociatas, talvez o mais indecente que se tenha notícia na história desse país.


Segundo informes da agência Reuters, no mês de junho de 2017, a liberação de recursos para parlamentares apresentou um crescimento vertiginoso completamente incompatível com a sequência desastrosa na arrecadação de impostos verificados pelo governo federal durante todo este ano.


Enquanto nos primeiros cinco meses de 2017 os valores pagos para as emendas parlamentares não chegaram a R$ 1 bilhão, só no mês passado foram repassados inacreditáveis R$ 4,2 bilhões aos “nobres” parlamentares, o que revela uma desesperada e criminosa tentativa de manter a base “alugada”, às custas do dinheiro público.


O campeão de verba liberada por Michel Temer é o queridinho dos coxinhas nazi-doidos e da bancada da bala, deputado Jair Bolsonaro, que está há mais de 30 anos no Congresso, com sete mandatos legislativos, mas é detentor de apenas um único projeto de lei aprovado até hoje. O sujeito faz da homofobia, da violência, do preconceito e do desrespeito sua plataforma política e com esses “predicados” recebeu R$ 18,5 milhões só no primeiro semestre do ano de emendas. É um dos grandes aliados de Michel Temer.


O segundo colocado no recebimento de emendas com cerca de R$ 18,4 milhões em emendas parlamentares é nada mais, nada menos que o golpista derrotado na eleição presidencial de 2014: o campeão disparado em ações na Lava Jato, o abominável Aécio Neves, senador afastado e recém-beneficiado por decisão tucano-judicial. E para incrementar ainda mais a pizzaria dos golpistas, o Conselho de Ética do Senado arquivou nessa semana, por 12 votos a quatro, uma representação contra Aécio que foi flagrado negociando propinas de R$ 2 milhões com o empresário dono da JBS, Joesley Batista.


O terceiro mais aquinhoado é o senador Cristovam Buarque, aquele mesmo que foi demitido por telefone quando era ministro da Educação no Governo Lula. Mas hoje é um dos grandes aliados de Michel Temer, que vota contra os trabalhadores e recebeu nada menos que R$ 17,7 milhões para suas emendas parlamentares.


Um verdadeiro festival de horrores, um país que afunda, um povo que olha passivamente, e um bando de coxinhas midiotizados que ainda não se deram conta do problema que ajudaram criar ao se deixarem servir de massa de manobra ao que há de pior na politicalha das elites corruptas, dos cérebros sem luz, das sombras de homens, dos monstros morais que há séculos assombram os nossos sonhos enquanto solapam as riquezas da nação, é o que restou do nosso Brasil brasileiro com o assalto ao poder por um conluio de bandidos.

Antonio Cavalcante Filho é sindicalista e escreve neste espaço às sextas-feiras - E-mail: antoniocavalcantefilho@outlook.com

Fonte RD News

https://www.facebook.com/antoniocavalcantefilho.cavalcante

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sábado, 8 de julho de 2017

Um chamado aos coxinhas do Brasil


Com a quadrilha que tomou conta do Brasil, chefiada por PSDB e PMDB, a Globo negocia e articula do jeito tradicional. Suponho que mesmo uma pessoa de direita não deseje ser usada por um império de comunicação que gosta de brincar de derrubar presidentes. Juntem-se a nós nessa luta, queridos coxinhas, para que possamos discutir política livremente, para que possamos ao menos escolher as nossas pautas! O poder da dialética – liberta das amarras globais – será o propulsor de um Brasil muito melhor. A luta pela democratização da mídia no Brasil agradece. Se você gostou deste texto, por favor mande para seus amigos coxas. A luta pela democratização da mídia no Brasil agradece.





(O Cafezinho adverte: o termo “coxinha” não foi usado pejorativamente neste artigo)


Por Pedro Breier, colunista do Cafezinho

“Cadê as panelas?” virou bordão da esquerda depois do golpe de 2016. Cada notícia sobre alguma bandidagem da trupe que assaltou o poder gerava uma torrente de interrogações aos paneleiros nas redes sociais. Foi tão usado que chegou a enjoar.

Depois dos últimos acontecimentos, entretanto, a fatídica pergunta retornou com força e com razão.

Afinal, não faz nenhum sentido, dentro da lógica da revolta com a corrupção que criou as condições para o golpe, a comoção nacional provocada por uma interpretação grotesca do famigerado áudio do Bessias – interpretado teatralmente pelo Willian Bonner, ainda por cima! – e o completo silêncio diante da absolvição de Aécio Neves no conselho de ética (com minúsculas e uma gargalhada) do Senado; do fato de Michel Temer gastar bilhões do dinheiro oriundo dos “pagadores de impostos” para comprar deputados, através de emendas parlamentares, com o único objetivo de tentar sobreviver às pesadas acusações criminais; e do governo finalmente estancar a sangria e decretar o fim da Lava Jato, simplesmente cortando seus recursos.

Justo, portanto, debruçarmo-nos sobre algumas questões. Cadê as panelas? Por que elas estão mudas? Seria vergonha? Desorientação? Questão ideológica? Hoje, n’O Cafezinho.

A resposta é simples. As panelas e a revolta da classe média brasileira sumiram porque a maestra do descontentamento, a guia suprema do ódio nacional não deseja mais a revolta da população. A Globo não necessita mais da mobilização de rua para atingir seus objetivos políticos.

Com a quadrilha que tomou conta do Brasil, chefiada por PSDB e PMDB, a Globo negocia e articula do jeito tradicional. Lobby, conchavos parlamentares, ameaças e ataques contra os que não seguem o script global. A população, mesmo a classe média que sustentou o golpe, perdeu sua serventia como massa de manobra e passou a ser solenemente ignorada pela empresa dos Marinho.

De qualquer forma, o objetivo deste artigo não é tripudiar sobre os coxinhas. Aqueles que acreditaram sinceramente que “toda essa corrupção” foi a causa do impeachment – não os que no fundo apenas queriam a ameaça comunista capitaneada pelo PT (hahaha) extirpada do poder – foram enganados pela Globo, que apenas queria derrubar o governo eleito para botar os amigos de sempre no lugar.

Aos que estão se dando conta de que foram ludibriados, parabenizo pelo reconhecimento do erro, demonstração de caráter, e faço um chamado à luta contra o monopólio da informação no Brasil.

Não se trata de ideologia, aqui. Não estou convidando a classe média brasileira para o lado vermelho da força.

Se trata, sim, de batalharmos juntos para que exista um verdadeiro debate político no Brasil, uma vez que hoje ele é praticamente inexistente. A Globo escolhe sobre o que o Brasil vai falar, a esquerda apenas corre atrás da máquina tentando desconstruir suas mentiras, deturpações e canalhices, e as pessoas comuns alinhadas à direita compram a narrativa alegremente.

Suponho que mesmo uma pessoa de direita não deseje ser usada por um império de comunicação que gosta de brincar de derrubar presidentes.

Sem a manipulação brutal da informação promovida pela Globo e seus orbitais poderemos discutir de verdade os problemas do país. Por que o Brasil é tão violento? Por que os serviços públicos são tão insuficientes? Será que a corrupção é o grande problema nacional mesmo? Poderemos falar até sobre sonegação, vejam só (o assunto é tabu para a Globo por motivos óbvios).

Nós, do campo progressista, não detemos, evidentemente, o monopólio da verdade. Queremos discutir política, discutir alternativas para o nosso país.

A Globo não quer nada disso. A Globo quer continuar sendo o nosso Big Brother (o de George Orwell, não o outro): ter controle absoluto sobre as mentes dos brasileiros para permanecer sendo uma corporação poderosa e bilionária que, ignorando a vontade do povo expressa nas urnas, sustenta ditaduras, encobre seus bandidos de estimação e derruba presidentes com uma facilidade exasperante.

Juntem-se a nós nessa luta, queridos coxinhas, para que possamos discutir política livremente, para que possamos ao menos escolher as nossas pautas! O poder da dialética – liberta das amarras globais – será o propulsor de um Brasil muito melhor.

P.S.: Se você, leitor(a) clássico(a) de esquerda do Cafezinho, gostou deste texto, por favor mande para seus amigos coxas. A luta pela democratização da mídia no Brasil agradece.

Fonte Cafezinho


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quinta-feira, 6 de julho de 2017

O CASO DE IMPUNIDADE MAIS ASSOMBROSO DE NOSSO TEMPO


Protagonista de de esquemas ilícitos há décadas, Geddel é caso de impunidade mais assombroso de nosso tempo. Depois de tudo o que o ex-ministro fez para ser agora definido como "criminoso em série", é até afrontoso que sua prisão seja por uma dúzia de telefonemas quase ingênuos 




Pragmatismo Político 

Por Janio de Freitas

Depois de tudo o que Geddel Vieira Lima fez para ser agora definido como “criminoso em série“, é até afrontoso com o próprio Ministério Público, com a Polícia Federal e a Justiça que sua prisão seja por uma dúzia de telefonemas quase ingênuos.

Geddel é o caso de impunidade mais assombroso e de imunidade mais inexplicada na política do nosso tempo. Tem um quarto de século desde que se fez notado em Brasília, como integrante dos “Anões do Orçamento“, sete deputados que adulteravam em seu proveito financeiro o orçamento do país, e em 1993 afinal caíram em uma CPI. Exceto Geddel.

A impunidade dada então ao jovem peemedebista expõe bem o compadrio inescrupuloso que rege grande parte das relações e das decisões parlamentares. E está nas raízes do tal “presidencialismo de coalizão“, eufemismo acadêmico para fantasiar o sistema de venda, compra e chantagem que dá ou retira apoio aos governos nas Casas do Congresso.

Atolado nas fraudes, Geddel, com sucessivas ataques de desespero e choro, implorou ao líder do PFL Luiz Eduardo Magalhães, seu adversário na Bahia, que o salvasse da cassação. Nas últimas horas anteriores ao relatório do tumultuoso deputado Roberto Magalhães, Luiz Eduardo riscou o nome de Geddel na relação de cassados.

Abusado, ameaçador, perverso, Geddel pôde seguir sua vocação, e cresceu nos governos de Fernando Henrique, Lula e Dilma. Com Temer, seu “amigo fraterno“, chegou ao Planalto. Sempre envolvido em casos que não levavam a consequências legais. Antonio Carlos Magalhães, testemunha do enriquecimento de seu adversário estadual, até criou um bordão para propagar os avanços do patrimônio injustificável do deputado: “Geddel vai às compras“.

Imune, não admitiu e não deixou de se vingar, ainda que fosse só pela língua maldosa, de qualquer chamado de atenção para sua atividade. Dou o testemunho pessoal de teimoso ex-processado por Geddel. Derrotado, me mandou como emissário um jornalista de Brasília: dispunha-se a viajar ao Rio, porque “queria um entendimento” comigo. Foi assim que desperdicei mais uma boa oportunidade.

Aécio Neves não diria o mesmo. Disse outras coisas ao seu gosto e proveito. Por exemplo: “Os R$ 2 milhões [recebidos de Joesley Batista] foram um empréstimo“. Ou: “Fui vítima de uma armadilha engendrada por um criminoso confesso de mais de 200 crimes“. Logo, Aécio tinha com o “criminoso confesso” uma relação íntima, a ponto de a ele recorrer para um empréstimo alto. Aliás, recebido, embora não como empréstimo, mas como doação pedida.

Joesley Batista não participou da construção, contratada e comandada por Aécio Neves, da Cidade Administrativa de Minas, obra de grandeza juscelinista. Não foram necessárias armadilhas para o então governador deixar motivos que hoje, enfim, fundamentam inquérito sobre subornos e comissões auferidas das empreiteiras e fornecedores da Cidade.

Até parece coisa de Geddel, mas há 15 anos o caso de Furnas Centrais Elétricas retém as investigações graças a outras celebridades do ramo. Se houve armadilha, foi contra os funcionários e os interesses da empresa. O “criminoso confesso“, que é isso mesmo, não estava nessa. Mas o nome de Aécio Neves aparece ao lado de Eduardo Cunha, em duas apreciáveis condições: bloqueadores das investigações e principais denunciados pelos desvios. Aécio não se referiu ao caso em seu recente discurso de defesa no Senado. É, no entanto, um de seus nove inquéritos. Dois estão com Gilmar Mendes, uma garantia. Dos outros, não se sabe se por estarem na Lava afinal estarão também a Jato.



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quarta-feira, 5 de julho de 2017

Delações seguem 'lógica de mercado', diz procurador


“O benefício [oferecido ao delator] decorre do quanto precisávamos daquelas informações Quanto mais eu quero, mais eu preciso, normalmente melhor é a posição do delator". O procurador está se sentindo tão blindado pela mídia, que não se preocupou em usar termos mais cuidadosos.





Um dos principais procuradores da Lava Jato, Carlos Fernando dos Santos Lima, conhecido por suas postagens furibundas anti-PT no Facebook, explicou ontem à noite, à imprensa, que os acordos de colaboração (ou delação premiada) são firmados a partir de uma lógica “utilitária” e “de mercado”.

“O benefício [oferecido ao delator] decorre do quanto precisávamos daquelas informações [para a investigação]. É uma lógica de mercado aplicada ao processo penal. Quanto mais eu quero, mais eu preciso, normalmente melhor é a posição do delator. Ele faz o preço e eu acabo aceitando”, disse o procurador.

Quanto mais a Lava Jato quer, quanto mais a Lava Jato precisa, melhor é o preço da delação.
Deu pra entender?

O delator faz o preço e o procurador decide se quer “comprar” ou não.

O procurador está se sentindo tão blindado pela mídia, que não se preocupou em usar termos mais cuidadosos.

Entregou o jogo.



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Rodrigo Maia, o traidor do traidor


Como na velha peça teatral, trair e coçar, é só começar. E o povo brasileiro vai aprendendo que as ditas instituições são feitas para usurpar seu direito a escolher seus governantes e a, de tempos em tempos, julga-los. Deputados, senadores, promotores, juízes e ministros – inclusive aqueles que andam a encontrar-se à socapa com seus réus – são quem decide quem sobe e quem cai do poder e quem para lá vai em seu lugar. 





Por Fernando Brito

Vai ficando claro que, debaixo do manto de fidelidade canina a Michel Temer, Rodrigo Maia liberou os inibidores de apetite mais do que no setor farmacêutico.

Na Folha, diz-se que “a escolha de Sérgio Zveiter (PMDB-RJ) como relator do pedido de denúncia de Michel Temer na Comissão de Constituição e Justiça é um aceno para o grupo que pode se beneficiar com a queda do peemedebista”. Zveiter é, afirma o jornal,  aliado de Rodrigo Maia.

Lauro Jardim, em O Globo, é mais explícito. Fala que Maia já faz as contas para assumir o cargo de presidente:

“Se a Câmara autorizar o STF a analisar a denúncia e a maioria dos ministros torná-lo réu, Michel Temer será afastado por até 180 dias. Maia assumirá. Após esses seis meses, se o STF condenar Temer, Maia governaria por mais 30 dias, podendo se candidatar na eleição indireta para comandar o país até o fim de 2018. Seria, naturalmente, um dos candidatos mais fortes.”

Como sonhar não custa nada e os tucanos estão num mato sem cachorro, Lauro fala até em “reeleição” – trata-se de um caso inédito de reeleição de quem não foi eleito.

Como na velha peça teatral, trair e coçar, é só começar.

E o povo brasileiro vai aprendendo que as ditas instituições são feitas para usurpar seu direito a escolher seus governantes e a, de tempos em tempos, julga-los. Deputados, senadores, promotores, juízes e ministros – inclusive aqueles que andam a encontrar-se à socapa com seus réus – são quem decide quem sobe e quem cai do poder e quem para lá vai em seu lugar.

A “democracia” sem povo, eis o Brasil que a elite sempre sonhou



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O ÓDIO DE CADA DIA


É evidente que foi o ódio da “elite” contra os despossuídos, que no século XXI começou a entrar no mercado formal de trabalho, comprar casa própria e carro financiado, que passou a frequentar shopping center, matricular filhos na faculdade e transitar por aeroportos, que fez aumentar mais ainda a ira da “Casa Grande”, que, histérica, batendo panelas do alto dos seus luxuosos edifícios gritava: “quero o meu país de volta!”. Daí, para a deflagração do golpe de 2016, foi apenas um passo. 
 



Por Antonio Cavalcante Filho




Vejo a crise ardente do Pedro Taques em Mato Grosso e me assombra a capacidade que este político tem de ignorar os compromissos feitos com a cidadania e a ética, de criar problemas onde não existem (antes dele chegar!!) e de se beneficiar eleitoralmente do clima de medo e insegurança que espraiam sobre as pessoas. Lembro-me que o grande triunfo eleitoral que levou como troféu no ingresso à arena política foi a prisão do comendador Arcanjo, o bicheiro que tocava terror em Mato Grosso.

Mas ignorou os nomes dos 20 promotores de Justiça do MPE que atuaram no caso, dos mais de 100 policiais, vários deles integrantes da Polícia Militar e da Polícia Civil estadual, agentes que executaram as ordens de busca e apreensão e as diligências para instruir os inquéritos. É bom lembrar também que a primeira condenação de Arcanjo foi do ex-juiz federal Julier, as demais sentenças são oriundas da justiça estadual, inclusive pelas acusações de homicídio.

Então, a operação que desmontou a organização criminosa do “comendador” não foi de um homem só! Este só levou os louros da glória midiática para se projetar na carreira política.

Só que o clima de medo e insegurança, mesmo que seja artificial, é uma boa tática eleitoral, rende votos, ainda que seja baseada em mentiras e nada acresça à melhoria dos seres humanos. Recordo ainda que, uma das grandes mentiras recentes, que foi a criação do tal “kit gay”, uma armação de políticos conservadores, que ganhou ares de verdade, e que abortou uma série de medidas contra o ódio e discriminação que eram preparados pelo governo Dilma.

A iniciativa de um programa contra a discriminação e homofobia viera do Ministério Público e do Legislativo. O ministro de Educação na época, Fernando Haddad, buscou explicar à imprensa e às bancadas evangélica e católica do Congresso sobre o que se pretendia. Ocorre que, no mesmo período, começou a circular um material preparado pelo Ministério da Saúde e que se destinava à prevenção de DST/Aids. Tinha como público-alvo caminhoneiros e profissionais do sexo nas estradas de rodagem e, portanto, a linguagem era bem direta e escancarada.

Porém, o então deputado federal Anthony Garotinho, que seria preso alguns anos depois, pegou esse material de propaganda e disse que era o tal “kit gay” do MEC para as escolas brasileiras. Essa mentira foi o suficiente para que uma onda de ódio e discriminação se espalhasse pelo país sem que nada de real tivesse acontecido. Foi o poder da boataria se beneficiando do ódio latente contra as minorias, contra o “diferente”.

Nos Estados Unidos a Guerra ao terror é outro (mau) exemplo. O então presidente George Bush garantiu que Sadam Hussein possuiria armas de destruição em massa, o que semeou ódio anti-islâmico e permitiu a destruição do Iraque. As armas nunca foram encontradas porque simplesmente não existiam, mas um país inteiro foi destruído, mulheres e crianças sacrificadas. Os bombardeios não respeitaram escolas, hospitais e creches. Tudo foi destruído, e o motor da guerra eram o ódio e medo injustificados.

O atual mandante ianque, Donald Trump, se elegeu porque havia campanhas de mentira nas redes sociais existentes na internet, e ainda porque a candidata adversária, Hillary Clinton, era uma péssima opção eleitoral. Era despreparada como uma Marta Suplicy votando os projetos destrutivos do Michel Temer e do PSDB.

Temo pelo futuro do Brasil.

Nossa classe dominante é profundamente conservadora e egoísta. Há muita gente por aqui, com vontade de lamber botas de um ditador militar. Então, devemos gritar nas ruas e nas entidades sobre as pessoas mortas e torturadas da ditadura militar, dos retrocessos econômicos, inclusive lembrar que foi gestada pelos militares a impagável dívida externa, criada a partir de desgovernos que não foram votados pelo povo. O país era chefiado por pessoas da estirpe de Castello Branco, Costa e Silva, Médice (o mais sanguinário dos ditadores), Ernesto Geisel e Figueiredo, que odiava cheiro de suor do trabalhador e preferia o odor dos cavalos.

Os fascistas liderados pela mídia golpista, Fiesp, MBL e partidos políticos como PSDB, DEM, PMDB e PPS, que batiam panelas contra Dilma, não queriam combater a corrupção, o que os movia era o ódio de classe. Lembremos que os grandes esquemas de corrupção, ora descobertos, nasceram nos governos de José Sarney (que herdou contratos da Odebrecht assinado com os generais), se alastrou com Fernando Henrique Cardoso e chegou a era Lula/Dilma.

A sociedade brasileira é profundamente desigual, a concentração de renda é absurda, e a origem desse problema vem de várias fontes, gerando danos irreparáveis à sociedade, e isso vem se repetindo a mais de 500 anos. Nossa riqueza natural foi levada pelos colonizadores europeus, e aí eu menciono a madeira (Pau Brasil), o ouro e as pedras preciosas. E o que dizer da monstruosa ignomínia de trazerem seres humanos escravizados a partir da África, e estes, serem aqui tratados como “coisa”, sendo obrigados a trabalhar de sol a sol, levando chicotadas quando o “amo” assim desejasse? O escritor Gilberto Freyre mostra no livro “Casa Grande e Senzala” como a classe dominante se beneficiou da mão de obra escrava e nutre preconceito contra os empobrecidos.

Em outra obra igual, o escritor registra que as propagandas dos jornais da época mostravam seres humanos à venda, e o tratamento dispensado era o mesmo que se dedicava aos cavalos. Atributos como dentes perfeitos, fala mansa e falta de orelhas eram comuns nos anúncios de compra e venda de escravos e comunicados de fuga. “Vende-se uma preta muito moça, com cria”, dizia um. “Vende-se uma negra de 38 anos com um filho de 3 anos de cor clara, e compra-se uma negrinha de 10, 12 anos” era o texto de outro anúncio.

O fato é que a pressão capitalista europeia ajudou na libertação legal dos escravizados no Brasil, mas a lei apenas os jogou na rua, sem casa, sem terra para plantar e sem comida. Mulheres, crianças e idosos se aboletaram nas matas, criando os espaços de resistência que se chamam Quilombos.

Ainda outro dia, o deputado Nilson Leitão (PSDB/MT) apresentou uma proposta de lei na Câmara dos Deputados que praticamente ressuscitava o período escravagista, em que os trabalhadores eram tratados como coisa e trabalhavam em troca de casa e comida. Parece que só o Blairo Maggi apoiou o tal projeto.

É evidente que foi o ódio da “elite” contra os despossuídos, que no século XXI começou a entrar no mercado formal de trabalho, comprar casa própria e carro financiado, que passou a frequentar shopping center, matricular filhos na faculdade e transitar por aeroportos, que fez aumentar mais ainda a ira da “Casa Grande”, que, histérica, batendo panelas do alto dos seus luxuosos edifícios gritava: “quero o meu país de volta!”. Daí, para a deflagração do golpe de 2016, foi apenas um passo.

O brasileiro médio é profundamente mal informado (graças à Rede Globo e suas congêneres televisivas, radiofônicas e impressas) e analfabeto político. Uma pesquisa recente mostra que o eleitor mais conservador, e com tendência fascista, se identifica em todas as classes, inclusive entre os letrados de ensino superior, possuindo capacidade intelectual. Desses, 100% são movidos pelo medo e pelo ódio. São boçais que acreditam no “perigo comunista”.

Só para fechar o tormentoso raciocínio e dizer da tendência de termos a estruturação do ensino militar e educação para o trabalho em nossas escolas, (parece ser esse o desejo de Pedro Taques em Mato Grosso), é criar alunos submissos e obedientes, que se submeteriam às ordens de um “chefe”, e quem sabe, se prontifiquem até mesmo “grampear” adversários políticos. Eu já falei isso antes e recebi, algumas críticas e rasgados elogios. O segundo veio como fundamento e os primeiros como impropérios verbalizados por coxinhas, que repercutem o que diz o jornalismo de esgoto, que, além de escravagista, é antinacionalista, antirrepublicano e elitista.

As empresas brasileiras gastam com treinamentos de empregados a média de R$ 518 por funcionário, e os donos de grandes empresas querem economizar esse dinheiro, que pode chegar a R$ 1,38 milhão anuais por empresa com mais de 500 funcionários. Com isso em mente, os donos de bancos e executivos de grandes empresas estão convencendo o governo golpista a implantar o ensino para o trabalho e as escolas em tempo integral.

Nada de ensinar esporte, música, teatro, filosofia e história para nossas criancinhas. Nossos alunos receberão educação para o trabalho, serão preparados para a subserviência, para o capitalismo, serão os escravos modernos, sem licença para pensar.

Será que a Senzala vai aceitar pacificamente o que nos impõe a Casa Grande, ou teremos uma guerra civil em um futuro bem próximo? Parece ser isso o que nos reserva essa “política das elites” que alimenta o ódio de cada dia.

Antonio Cavalcante Filho é sindicalista e escreve neste espaço às sextas-feiras - E-mail: antoniocavalcantefilho@outlook.com

Fonte RD News


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