sábado, 22 de abril de 2017

A DESAGRAGAÇÃO DO GOLPISMO E A FRENTE ANTAGÔNICA


O PSDB, aliás, agrega à sua “nova” condição de star da corrupção o fato de que é também responsável pela implosão do Brasil promovida por Michel Temer pois é o seu maior sócio, o que cedo ou tarde também cobrará seu preço político.





A desagregação do golpismo e a Frente Antagônica

Por Ion de Andrade

A luta contra a ditadura exigiu mais de vinte anos para a formação de uma força social capaz impor-se a ela. A Frente Democrática apontou para a Constituinte como forma de implantar em definitivo a democracia no Brasil.

Mais de meio século depois, cá estamos nós praticamente devolvidos ao ponto de partida, porém, diferentemente do que ocorreu em 64, a velocidade com que o atual governo de exceção se desagrega é extraordinária.

Isto sugere hegemonia mais curta do que os mais de vinte anos que durou a ditadura militar. Apressar o fim desse regime nefasto ao Brasil e aos brasileiros é a mais importante tarefa do momento e a ela nenhuma outra se sobrepõe.

No presente, a maior dificuldade é a de conseguir, no mais curto espaço de tempo possível, aquilo que as lutas contra a ditadura levaram 20 anos para maturar: abrigar debaixo do mesmo guarda-chuvas político setores antagônicos. Não sejamos ingênuos. Não há “programa comum de governo” capaz de unir protagonistas prejudicados pelo arbítrio, como seriam hoje a indústria da carne e o MST, ou como a Abimaq e a CUT. Apesar disto, há um pacto possível que só será programático no que terá de garantidor do único ambiente político e histórico capaz de sustentar essa diversidade antagônica, o ecossistema “saudável” capaz de abrigar presas e predadores: o Estado (nacional e social) organizado sob a forma de um Estado de direito minimamente democrático e garantista.

Essa base de sustentação do golpe, à qual não deveríamos ter acesso em condições normais, está sendo leiloada a preço de banana pela ação lesa pátria do governo. A sua desagregação e desidentificação é rápida e os seus prejuízos materiais não são passageiros, mas compõem a natureza mesmo da economia de colônia a que estamos novamente submetidos.

Prova disto, diversos setores que emprestaram o seu apoio ao golpe figuram como grandes perdedores: a engenharia pesada nacional, o agronegócio, a indústria bélica e os seus projetos de defesa, a indústria brasileira de máquinas, em breve a indústria farmacêutica, (quando as aposentadorias forem para o ralo) além de médicos, militares, alguns cientistas e da classe média. Todos ameaçados pelo arroxo, pela desnacionalização e por mudanças na previdência social que teriam provocado verdadeira panelo-convulsão fosse a presidenta Dilma a propositora.

De resto, e está retratado na popularidade de 5% de Michel Temer, os setores populares, até pouco tempo atrás desinteressados dessa, aos seus olhos, “briga de brancos” estão se levantando, assim como os bispos católicos, aliás com unanimidade e veemência de rara magnitude.


A lista de Facchin

Esse é o contexto no qual explode a lista Facchin/Odebrecht que pela primeira vez, desde o início da Lava-Jato, inclui o PSDB paulista e mineiro como protagonista maior dos malfeitos, até aqui atribuídos apenas ao PMDB, PP e PT. Essa lista, que (irresponsavelmente) misturou corrupção da mais deslavada com caixa 2, teve o mérito de demonstrar o quão parcial vinha sendo a versão curitibana da operação. Eclético, Facchin demoliu a política.

O PSDB, aliás, agrega à sua “nova” condição de star da corrupção o fato de que é também responsável pela implosão do Brasil promovida por Michel Temer pois é o seu maior sócio, o que cedo ou tarde também cobrará seu preço político.

Mas, a pressa com que vêm sendo entregues as nossas riquezas e perpetradas as crueldades com o nosso povo, demonstra, de fato, o pavor de que tudo isso possa vir a ser transitório. Deseja-se dar-se por consumado algo que a nação discorda hoje e que será inevitavelmente objeto de anulações futuras.

De fato, duas coisas ameaçam a longevidade das propostas:

  • A primeira é a perda total da legitimidade do golpe, reduzido a ato de vingança política de um Eduardo Cunha, cujo curriculum fala por si mesmo, e
  • A segunda é o verdadeiro exército de parlamentares corruptos presentes nas listas Facchin/Odebrecht como tomadores de decisões da ida da nação aos infernos.

Essas duas singelas singularidades selarão o destino das decisões tomadas nesses dias de sombra, o que ocorrerá assim que as dores começarem a ser sentidas pelas vítimas.

A pergunta que deverá ser respondida a seu tempo é: Por que deveria a nação sacrificar-se por decisões tomadas por bandidos?

“Investidores” e políticos deveriam cuidar-se melhor, uns porque podem perder bilhões e outros porque a nação poderia querer julgá-los por traição. Constato que as crueldades aprovadas umas atrás das outras são de natureza a acumular um ódio difícil de ser dimensionado, mas o mais provável é que venha a verter em proporções diluvianas quando o sofrimento de milhões começar a ser cobrado.

Porém, para além das hipóteses, o mais importante agora é a viabilização da  aglutinação dos antagônicos em torno de um projeto comum de ecossistema.

O Estado de direito, nacional, social e democrático como projeto aglutinador da Frente Antagônica

Em primeiro lugar, personagens como Ciro Gomes, Kátia Abreu, Roberto Requião, Armando Monteiro, Leonardo Boff, Bresser Pereira, Cláudio Lembo, Eduardo Suplicy, Aldo Rebelo e evidentemente Lula, dentre outros raros, cuja trajetória, temperamento, valores ou o que for lhes auferiu representatividade e credibilidade justamente entre forças antagonistas, têm a tarefa inadiável de construir o veículo que vai nos levar do naufrágio.

Tal nau flutua sobre os princípios que materializam o projeto aglutinador: (a) Prosperidade fundamentada numa política de melhoria da renda da população, entendida como sustentadora do mercado interno e do crescimento econômico, (b) Inclusão à contemporaneidade dos milhões de deserdados do Brasil que vivem nas periferias e zonas rurais, (c) Garantia universal aos direitos sociais, à educação e à saúde, (d) Prioridade estratégica à ciência e à tecnologia nacionais, (e) Compromisso do Estado com indústria estratégica e com a segurança alimentar, (f) Política externa soberana, além de outras obviedades. Não se trata, portanto de um projeto identitário da esquerda, mas de um projeto de país: o Teatro de Operações onde a vida da nação possa ser dignamente encenada em substituição do picadeiro do Mishell.

Compõe, naturalmente a viabilidade dessa plataforma a escolha de um nome para disputar as eleições de 2018 e não há dúvidas de que o primeiro nome é o de Lula. Dito isto, devemos compreender que no contexto atual, apesar da importância estratégica da candidatura Lula e da sua sobrevivência política, que espelha uma impressionante resiliência política do nosso povo, a construção da Frente é que é a prioridade transcendental. Lula deve aspirar à condição de aglutinador dessa diversidade antagônica.

Historicamente, a tarefa de erguer essa frente ultrapassa até mesmo as eleições de 2018, pois aspira, não a uma vitória eleitoral, mas uma hegemonia estável e durável capaz de garantir o Estado de direito nacional e democrático em meio às lutas e antagonismos que a compõem.

Esse pacto pelo Brasil exige “apenas” que as forças que venham a subscrevê-lo reconheçam nos diversos antagônicos (não sem as devidas alergias recíprocas e repulsas figadais) a pertinência àquilo que os franceses, de há muito, denominam de Comunidade Nacional.

Não há tempo a perder.

Fonte GGN


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segunda-feira, 17 de abril de 2017

O ESTADO PARALELO DO CAPITAL


O depoimento de Emílio Odebrecht evidencia a hipocrisia da mídia, sobretudo da Globo, que dissimula indignação com os procedimentos conhecidos há pelo menos 30 anos. Assim, a mídia constrói a falsa narrativa de que a corrupção no Brasil nasceu nos governos petistas [sic]. O patriarca da empreiteira explicou, contudo, que a promiscuidade da empreiteira com o Estado advém da época do seu pai, Norberto Odebrecht, que fundou o conglomerado em 1944. 




Por Jeferson Miola

Parcela importante do conteúdo das delações dos funcionários da Odebrecht já era de conhecimento público há muito tempo. As revelações úteis para a dinâmica do golpe, por exemplo, já eram bem conhecidas, porque estão sendo vazadas seletivamente pela força-tarefa da Lava Jato e divulgadas à exaustão há cerca de dois anos.


O fim do sigilo das delações trouxe, além de algumas poucas novidades, muitas confirmações sobre as suspeitas dos esquemas industriais de corrupção do bando golpista, dos políticos e operadores do PMDB, PP, DEM, PTB, PSB e PSDB.


Em teoria, portanto, não deveria haver motivos para o estarrecimento com a publicação da íntegra das delações. O espanto se deve, entretanto, aos vídeos estarrecedores dos depoimentos dos ex-diretores da Odebrecht.

Os vídeos valem como uma pós-graduação acerca da supremacia do capital e do mercado sobre a democracia e a República. Eles revelam de maneira escolástica, para não dizer pornográfica, a existência de um verdadeiro Estado paralelo do capital operando dentro do Estado de Direito.


O fetiche do dinheiro desenvolveu uma patologia corruptora, manifestada no poder prazeroso e excitante de comprar todo mundo e qualquer coisa, como explicou o chefe da área de propinas da Odebrecht, Hilberto Mascarenhas, com assustadora naturalidade e ironia.


A Odebrecht comprava corruptos como o “pastor” Everaldo, do PSC. Em contrapartida, definiu o discurso privatizante que ele faria na entrevista do Jornal Nacional e a postura no debate televisivo da emissora para permitir a Aécio atacar a candidata Dilma. A Odebrecht se vangloria, inclusive, de comprar dirigentes sindicais para refrear as lutas e os movimentos dos trabalhadores.


Para a reprodução de esquemas tão sofisticados e profissionais, o poder econômico certamente compra, além de políticos e partidos, também intelectuais, juízes, procuradores, promotores, conselheiros de tribunais de contas – autoridades que, todavia, seguem protegidas e intocadas.


O depoimento de Emílio Odebrecht evidencia a hipocrisia da mídia, sobretudo da Globo, que dissimula indignação com os procedimentos conhecidos há pelo menos 30 anos. Assim, a mídia constrói a falsa narrativa de que a corrupção no Brasil nasceu nos governos petistas [sic]. O patriarca da empreiteira explicou, contudo, que a promiscuidade da empreiteira com o Estado advém da época do seu pai, Norberto Odebrecht, que fundou o conglomerado em 1944.


A dinheirama da Odebrecht que irrigou o sistema político brasileiro só nos últimos 10 anos atingiu a cifra assombrosa de US$ 3,3 bilhões [R$ 10,6 bilhões], valor superior ao PIB de mais de 40 países. Isso expressa o poder de dominação do capital sobre a política; esclarece como o capital deforma a democracia. O dinheiro é um poder que frauda a soberania popular e corrompe a política para orientar, a partir do controle do Estado, a concretização dos seus interesses e negócios.


Não se deve esquecer, ainda, a atuação de outras empreiteiras investigadas na Lava Jato – OAS, Andrade Gutierrez, Mendes Júnior, Camargo Corrêa, Queiroz Galvão etc – e dos grandes capitais atuantes em outros ramos econômicos nacionais e estrangeiros, como o bancário, financeiro, imobiliário, petroleiro, agroindustrial, agronegócio etc – que magnificam o poder corrosivo do dinheiro e do capital na política.


Na eleição de 2014, por exemplo, somente a JBS Friboi, multinacional brasileira exportadora de carnes, distribuiu R$ 367 milhões a candidatos de todos os partidos para todos os cargos – presidente, governador, senador, deputado federal e estadual.


A democracia, para a oligarquia dominante, é uma mercadoria que tem preço. Nas palavras do filósofo-senador Romero Jucá, renomado especialista em “suruba” política, presidente do PMDB e líder da cleptocracia do Temer no Senado, o preço dos políticos que se vendem é maior que o praticado na Feira do Paraguai de Brasília [o que já é um parâmetro].


Os sem-voto, aqueles da força-tarefa da Lava Jato que se oferecem ao país como os puros, probos e honestos, se beneficiam desta realidade inaceitável do poder do capital sobre a política para destruir o sistema político e a democracia para, com isso, ampliar o poder das suas corporações sobre o Estado e a própria política.


O desafio, ao contrário, está numa reforma política radical, que extirpe toda e qualquer forma de financiamento da política, das eleições e dos partidos com o dinheiro das corporações.


O capitalismo é incompatível com a democracia, por isso é imperativo precaver a democracia com todos os antídotos contra o poder econômico. Isso só será possível com uma reforma política que proíba o financiamento empresarial da política e supere a idiossincrasia de um sistema que permite que governantes eleitos com maioria absoluta dos votos sejam reféns de oposições parlamentares chantagistas.

domingo, 16 de abril de 2017

A PÁSCOA CELEBRA A RESSURREIÇÃO DE CRISTO


Mas, seu reino continua não sendo deste mundo. 

Não pode ser cristã uma Páscoa celebrada por quem se omitiu e fechou os olhos diante de ditaduras, de torturadores, de injustiçados, com medo de sofrer e de morrer como Jesus morreu. Não celebra a Páscoa cristã quem se tornou insensível aos sofrimentos humanos e nada fez para denunciar a exploração dos mais pobres pelos ricos e poderosos deste mundo (Tg 5,1-6).



São Tiago, 5 1. 

"Vós, ricos, chorai e gemei por causa das desgraças que sobre vós virão. 2. Vossas riquezas apodreceram e vossas roupas foram comidas pela traça. 3. Vosso ouro e vossa prata enferrujaram-se e a sua ferrugem dará testemunho contra vós e devorará vossas carnes como fogo. Entesourastes nos últimos dias! 4. Eis que o salário, que defraudastes aos trabalhadores que ceifavam os vossos campos, clama, e seus gritos de ceifadores chegaram aos ouvidos do Senhor dos exércitos. 5. Tendes vivido em delícias e em dissoluções sobre a terra, e saciastes os vossos corações para o dia da matança! 6. Condenastes e matastes o justo, e ele não vos resistiu."


 Hoje não tem artigo, crônica ou crítica. Tem música.


E é uma canção belíssima:



La Saeta. Fiquei arrepiado ao escutá-la pela primeira vez, na voz do nosso Fagner, em dueto com o autor Joan Manuel Serrat -outro extraordinário cantor/compositor catalão, a exemplo de Lluís Llach.
  
 
Ouça-o aqui:





Talvez porque, desde meus verdes anos, sempre me incomodasse a opulência do catolicismo oficial -- aquele dos altares, das procissões, da Inquisição e das  Redentoras.

Com o tempo aprendi que não era esse o verdadeiro legado de Jesus Cristo, mas sim uma mensagem de esperança para os pobres, os humildes, os fracos, os desprotegidos, os injustiçados e os excluídos da Judeia -como destaca o douto estudioso de religiões Reza Aslan numa das exegeses mais importantes e consistentes já produzidas sobre os evangelhos, Zelota (leia uma boa reportagem aqui).

Também mexeu muito comigo a tese levantada por um dos pais da contracultura, Norman O. Brown, em seu clássico absoluto, Vida contra morte (1959): a de que o pecado cometido pela humanidade contra o Pai já foi purgado por milênios de calvário, sendo chegada a hora de resgatarmos a promessa de liberdade e plenitude que o Filho trazia e foi escamoteada por visões religiosas que preferem enfatizar os horrores da crucificação, para tanger seus rebanhos ao conformismo.

Tudo a ver com esta canção que, comparando o calvário longínquo de Jesus ao calvário permanente dos ciganos, é uma altaneira negação do Cristo dos crucifixos (sois pecadores, arrependei-vos!) para afirmar o que andava sobre as águas (tudo podeis, libertai-vos!).


E aqui, a interpretação mais empolgante que dela encontrei no Youtube:




E, aos que estamos submetidos ao calvário interminável da exploração do homem pelo homem, não nos basta mais a esperança de um paraíso no além.

Queremos o paraíso agora!

Para que uma vida de verdade seja oferecida a esse povo que tanto anda atrás de qualquer alegria.

Então, os que sabemos o canto da gente, temos a sagrada missão de preparar o dia da alegria.

Fonte: Náufrago da Utopia 

 
Belíssima canção em memória dos mártires do nosso tempo! "Pai Nosso dos Mártires"


 



Extremistas de direita e ratos de igreja, deixem de ser hipócritas. Ao combater ideias de igualdade entre os homens enquanto aproveitam a celebração máxima do cristianismo para se deliciarem com bugigangas e iguarias que o dinheiro pode comprar, sejam cristãos de verdade. Defendam as ideias socialistas pelas quais Jesus Cristo deu a vida. 






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PREFIRO A DEMOCRACIA


Só poderemos ter paz e ver afastada a hipótese de deflagração de uma guerra civil, se a democracia for rapidamente restabelecida, quando os ditadores da mídia e do sistema de justiça entenderem a alma do brasileiro, e que de fato o povo é que gera a força do poder. Sem o protagonismo popular, o Estado é somente ficção, juiz é só o cara que apita um jogo de futebol marcando um pênalti e legislador é apenas um rábula que não merece ser ouvido. 




Por Antonio Cavalcante Filho 



Aos meus amigos e amigas, que comigo dividem as angústias desses tempos sombrios que vivemos, onde a intolerância e os sentimentos de cólera se sobrepõem aos valores humanitários, onde os discursos de preconceito e de discriminação são até motivos de risos e aplausos, reafirmo minha crença: a democracia é a saída e desejo que ela seja urgentemente restituída ao nosso país. O passo seguinte é debatermos as demais questões que são tão urgentes, como a melhoria das aposentadorias, dos empregos e das instituições, mas isso só pode ser feito com a normalidade democrática.

Confesso também que nos últimos anos lutei muito, com minhas forças e a de meus amigos a mim cedidos em apoio, para que o processo de escolhas eleitorais recaísse sobre os melhores candidatos e candidatas, mas reconheço poucos avanços tangíveis. Os bandidos ainda vencem os mocinhos, a mentira e a falácia ainda enganam a maioria, e os bem-intencionados vêm se abstendo de votar, com medo de serem solidários a governantes incapazes e mentirosos, que se elegem e no dia seguinte rasgam os compromissos firmados.

Em Mato Grosso, até por falta de opção, em 2014, também votei errado.

A todos com quem converso sobre política, sempre relembro que votei em Pedro Taques, que, após eleito, além de bater no peito que apoiava a entrega do Brasil aos golpistas, corruptos e lesa-pátria (medida feita por meio do golpe apelidado de impeachment), o baixinho ainda contempla as estripulias da Assembleia Legislativa (com seus excessos de arrecadação), não resolve as emergências da saúde e das escolas, e divide a gestão com gente que sofre todo tipo de processo no Judiciário. Não satisfeito, transformou o Estado (e não o parafraseio) em cabide de desempregados do ex-prefeito de Cuiabá, e o “Sine do PSDB” tem quase 4 mil cargos comissionados.

Mas sigamos “desvotando” (revogando o mandato de quem elegemos).

O que ocorre no Brasil é diferente dos demais países latino-americanos e mesmo os nossos conflitos diferem do vivenciado pelos EUA e Europa. Aqui chegamos a ser a 5ª economia do mundo, mas o golpe veio para nos deixar reféns dos ianques e a bandidagem está entregando nossas riquezas.

O pré-sal, que destinaria 70% dos lucros do petróleo para aplicar na educação pública, agora não é mais nosso, graças aos entreguistas (com as bênçãos da Lava Jato) tudo o que é do povo está sendo passado para as petroleiras multinacionais.

O Brasil, que na última década viu 29 milhões de cidadãos ascenderem à classe média, hoje ouve o governo ilegítimo dizer que há um rombo de R$ 150 bilhões no sistema de Previdência e revelar o seu desejo perverso de deixar nossos idosos sem o benefício da aposentadoria. Só que os golpistas não cobram os bancos e empresas que devem meio bilhão de reais ao sistema, a “elite” perdoa os seus.

Somente num julgamento feito pelo Supremo Tribunal Federal, na última semana, tratando sobre a contribuição do FUNRURAL, as empresas foram condenadas a pagar cerca de R$ 7 bilhões que foram sonegados. Isso quer dizer que pessoas humildes trabalhavam para os latifundiários, que não recolhiam a contribuição, mas os trabalhadores se aposentaram e recebiam dos cofres públicos.

O engraçado é que os crimes contra a Previdência, que revelam a sonegação de impostos, a entrega de bens nacionais aos estrangeiros, não revoltam a elite coxinha. As panelas só batem quando se fala em oferecer benefícios aos empobrecidos como o Bolsa Família, o FIES, o PROUNI e o Mais Médicos. Interessante dizer que cerca de 33 milhões de pessoas foram atendidos por esse programa de levar médicos para as cidades interioranas, que permitiu que pequenas localidades finalmente recebessem um profissional dessa área.

Mas, além de acabar com o benefício do Mais Médicos, congelando os investimentos públicos em escolas e postos de saúde durante 20 anos, o golpe vai acabar com a Farmácia Popular, programa federal que fornecia gratuitamente os medicamentos de uso contínuo.

Como dizia o antropólogo Darcy Ribeiro, o problema do Brasil é a sua elite, sua formação, o desejo de ter os benefícios apenas para si, resultando em miséria e tristeza para a maioria de nossos irmãos (que não são da classe dominante). O economista John Maynard Keynes, ídolo coxinha, dizia que as obras e serviços públicos são interessantes motores da economia dos países. Segundo ele, que já dirigiu o Banco Central estadunidense, o governo deve distribuir riqueza na forma de serviços sociais, e as obras públicas (construção de pontes, escolas e hospitais) são fundamentais para o aquecimento das relações capitalistas e distribuição de riquezas.

Quero mais democracia, quero mais distribuição de renda, quero respeito e tolerância às diferenças e divergências. Não quero o meu país nas mãos dos nazi-doidos que saem por aí dizendo: “Eu fui num quilombo. O afrodescendente mais leve lá pesava sete arrobas. Nem pra procriador ele serve mais”, ou ainda: “Eu tenho 5 filhos. Foram 4 homens, a quinta eu dei uma fraquejada e veio uma mulher”.

Mas só poderemos ter paz e ver afastada a hipótese de deflagração de uma guerra civil, se a democracia for rapidamente restabelecida, quando os ditadores da mídia e do sistema de justiça entenderem a alma do brasileiro, e que de fato o povo é que gera a força do poder. Sem o protagonismo popular, o Estado é somente ficção, juiz é só o cara que apita um jogo de futebol marcando um pênalti e legislador é apenas um rábula que não merece ser ouvido.

Antonio Cavalcante Filho, escreve suas angústias neste blog às sextas-feiras. E-mail: antoniocavalcantefilho@outlook.com

Fonte RD News


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sábado, 15 de abril de 2017

OS 13 NOMES DA LISTA DE FACHIIN QUE FORAM ÀS RUAS "CONTRA A CORRUPÇÃO"


Ao menos 13 políticos da lista de Edson Fachin foram às ruas "contra a corrupção", em defesa da "ética e da moralidade". Eles respondem inquéritos por corrupção, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica. Considerando apenas a lista de Fachin, que foi baseada em delações de ex-executivos da Odebrecht, os políticos mais citados são Aécio Neves (PSDB) e Romero Jucá (PMDB), com 5 inquéritos cada um.


13 nomes da lista de Fachin saíram às ruas ‘contra a corrupção na política’. Eles são acusados de receber milhões ilegalmente

Pragmatismo Político


Os desdobramentos da Operação Lava Jato, deflagrada pela Polícia Federal em março de 2014, aumentaram o número de figurões da política nacional encrencados com a Justiça.

Passados mais de dois anos desde a divulgação da primeira lista, quando 50 políticos foram mencionados em depoimentos, praticamente dobrou a lista de congressistas que, segundo investigadores, beneficiaram-se de esquemas de corrupção com empreiteiras e na Petrobras.

Nesta semana, o ministro relator da Lava Jato no STF, Edson Fachin, divulgou os nomes dos 108 acusados que responderão a inquérito por corrupção passiva, corrupção ativa, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica.

Considerando apenas a lista de Fachin, que foi baseada em delações de ex-executivos da Odebrecht, os políticos mais citados são Aécio Neves (PSDB) e Romero Jucá (PMDB), com 5 inquéritos cada um.

Um breve levantamento divulgado pelo portal UOL revelou que pelo menos 13 políticos que integram a lista de Edson Fachin participaram de manifestações “contra a corrupção” e por “mais ética no Brasil”.

 Confira os nomes abaixo:



1. AÉCIO NEVES (PSDB). O senador tucano atuou em manifestações de rua pelo impeachment de Dilma Rousseff (PT), sua rival na eleição de 2014, com um discurso de moralidade na política. Alvo de cinco inquéritos na lista de Edson Fachin, Aécio é alvo do maior número de pedidos de investigação feitos pelo ministro STF.


2. GERALDO ALCKMIN (PSDB). Citado nas delações da Odebrecht, o governador paulista é apontado pelo recebimento de R$ 10,7 milhões em caixa dois do departamento de propina da Odebrecht, segundo delatores da empreiteira. No acordo de delação homologado pelo STF, um cunhado de Alckmin é citado como o nome que teria recebido “pessoalmente parte desses valores”: o empresário Adhemar Cesar Ribeiro, irmão da primeira-dama paulista, Lu Alckmin. Segundo a delação, R$ 2 milhões foram aplicados na campanha do tucano ao Palácio dos Bandeirantes em 2010, e o restante, na de 2014, “todas somas não contabilizadas”, ou seja, caixa dois. Alckmin participou de ato contra a corrupção e pelo impeachment de Dilma na av. Paulista.


3. JOSÉ SERRA (PSDB). Citado nas delações por recebimento de pagamentos irregulares nas campanhas de 2004 (R$ 2 milhões), 2006 (R$ 4 milhões), 2008 (R$ 3 milhões) e 2010 (R$ 23 milhões), Serra esteve em protestos na avenida Paulista, em São Paulo, ano passado, pelo impeachment e contra a corrupção.




4. ROMERO JUCÁ (PMDB). Alvo de cinco inquéritos, um deles sobre recebimento de R$ 10 milhões para favorecer a Odebrecht na construção da usina de Santo Antônio, Jucá foi às ruas em março do ano passado pelo impeachment de Dilma Rousseff e “contra a corrupção”. Presidente do PMDB, o senador é o político que acumula, ao lado de Aécio Neves, o maior número de pedidos de investigações feitas por Fachin.

 
5. BLAIRO MAGGI (PMDB). O pedido de instauração de inquérito acusa Maggi de ter recebido R$ 12 milhões na campanha para o governo de Mato Grosso no ano de 2006. Ele, que também foi às ruas contra a corrupção, nega a acusação.

 
6. ALOYSIO NUNES (PSDB). Citado na lista sob suspeita de ter recebido R$ 500 mil em caixa dois na campanha para o Senado em 2010, o tucano, nomeado ministro por Michel Temer (PMDB), Nunes esteve sorridente em manifestações de rua convocadas ano passado por movimentos pró-impeachment.


7. CÁSSIO CUNHA LIMA (PSDB). Nome assíduo na defesa do impeachment de Dilma , o tucano é acusado de ter recebido R$ 800 mil na campanha ao governo da Paraíba em 2014. Cássio costuma usar a tribuna do Senado Federal para proferir discursos ‘anti-corrupção’.

 
8. RODRIGO MAIA (DEM). Citado nas delações porque teria recebido R$ 350 mil em campanha, em 2008, sem ser candidato, e outros R$ 100 mil para garantir aprovação da Medida Provisória do Refis, o atual presidente da Câmara Rodrigo Maia, teria ainda solicitado em 2010, segundo as delações, R$ 600 mil para a campanha do pai, César Maia. Defensor do impeachment de Dilma e participante de atos públicos da causa, Maia nega irregularidades.

 
9. BRUNO ARAÚJO (PSDB). O ministro do governo Temer é acusado por delatores de receber doação de R$ 600 mil não declarados em 2010 e 2012. Foi de Bruno Araújo o voto 342 na Câmara dos Deputados contra Dilma Rousseff — número necessário para abertura do processo de impeachment.

 
10. JOSÉ CARLOS ALELUIA (DEM). Acusado de ter recebido R$ 300 mil em caixa dois em 2010 e R$ 280 mil em doação oficial, com contrapartidas, em 2014, Aleluia foi às ruas de Salvador, em 2015, contra a corrupção.


11. JUTAHY JÚNIOR (PSDB). Mencionado por delatores por recebimento de R$ 850 mil não contabilizados nas campanhas de 2010 e 2014, o tucano disse ter “absoluta convicção” de que o procedimento será arquivado. Ele esteve no protesto de março de 2016 pela deposição de Dilma – evento organizado para a “luta contra a corrupção”.

 
12. PAULINHO DA FORÇA (SD). Citado nas delações porque teria recebido R$ 1 milhão de propina na campanha à Câmara em 2014, além de outros R$ 200 mil em espécie para a campanha de 2010, o fundador da Força Sindical, segunda maior central sindical do país, vinha ao menos desde 2015 defendendo a queda de Dilma em um discurso “contra a corrupção”.


13. ANTONIO ANASTASIA (PSDB). O tucano foi citado nas delações pelo recebimento de R$ 7,3 milhões, em 2009 e 2010, a pretexto de doação eleitoral para campanha ao governo de Minas. O senador e ex-governador de Minas, que foi às ruas pelo impeachment e contra a corrupção em março de 2016, afirma que “nunca tratou de qualquer assunto ilícito com ninguém”.

sexta-feira, 14 de abril de 2017

Wall Street Journal destaca propina de US$ 40 milhões para Michel Temer


Segundo Faria, Temer comandou uma reunião com a Odebrecht na qual foi acertado pagamento de propina de 40 milhões de dólares ao PMDB em 2010, quando era candidato a vice-presidente da República. 


Brasil 247

O jornal americano The Wall Street Journal, um dos mais prestigiosos do mundo, deu enorme destaque à acusação de propina de US$ 40 milhões que recai sobre Michel Temer; o periódico descreve em detalhes vários trechos da delação premiada da Odebrecht, que atribui a Temer um papel ativo nos esquemas de corrupção; os jornalistas dão destaque especial à delação de Márcio Faria, que narrou como teria sido a reunião em que Michel Temer pediu a propina milionária à empreiteira

247 - Michel Temer aparece mais uma vez de forma negativa na imprensa internacional.

O jornal americano The Wall Street Journal, um dos mais importantes do mundo, deu destaque ao envolvimento do peemedebista no escândalo de corrupção da Odebrecht.

O periódico descreve em detalhes vários trechos da delação premiada da Odebrecht, que atribui a Temer um papel ativo nos esquemas de corrupção. Os jornalistas dão destaque especial à delação de Márcio Faria, que narrou como teria sido a reunião em que Michel Temer pediu a propina milionária à empreiteira

Segundo Faria,  Temer comandou uma reunião com a Odebrecht na qual foi acertado pagamento de propina de 40 milhões de dólares ao PMDB em 2010, quando era candidato a vice-presidente da República.

Segundo o delator, o encontro aconteceu no escritório político de Temer em São Paulo, e o valor se referia a 5% de um contrato da Odebrecht com a Petrobras.

"Totalmente vantagem indevida, porque era um percentual em cima de um contrato", disse Faria no depoimento, quando perguntado se havia ficado claro na reunião que o repasse era relativo a pagamento de propina.



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