sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

O mistério que Teori deixou para sempre sem resposta.


Mais que tudo, ele deixa sem resposta a explicação para sua decisão sua mais importante no STF. Por que demorou tanto para afastar Eduardo Cunha do comando da Câmara? Ele era responsável pelo caso Cunha, e já tinha em mãos fazia meses os documentos que levariam o presidente da Câmara à cadeia. Mas Teori se movimentou apenas depois que o impeachment já se consumara. 




Por Paulo Nogueira

De Teori Zavasvki, indicado por Dilma em 2012, esperava-se que reforçasse as ideias progressistas no STF.

Isso acabou não acontecendo. Teori se tornaria sob esta ótica uma decepção, mais uma das más escolhas de Dilma (e Lula) para o Supremo.

Compare. Nos Estados Unidos, o presidente Roosevelt só conseguiu colocar em prática seu New Deal quando, com as trocas que pôde fazer, dotou a Suprema Corte de juízes afinados com seu ideário igualitário, na década de 1930.

Esta grande lição de Roosevelt — montar um Supremo alinhado com a presidência — foi ignorada por Lula e por Dilma, com as conhecidas consequências.

Teori, se tinha algo de progressista em sua índole, escondeu muito bem. Alguns o classificavam como discreto e reservado. Na verdade, ele sempre pareceu mais acuado e intimidado do que qualquer outra coisa.

Mais que tudo, ele deixa sem resposta a explicação para sua decisão sua mais importante no STF.
Por que demorou tanto para afastar Eduardo Cunha do comando da Câmara?

Ele era responsável pelo caso Cunha, e já tinha em mãos fazia meses os documentos que levariam o presidente da Câmara à cadeia.

Mas Teori se movimentou apenas depois que o impeachment já se consumara.

Por que tamanha espera?

Eis a pergunta de importância histórica gigantesca que Teori deixou, para sempre, sem resposta.

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Filho de Teori diz que não acredita em sabotagem no acidente que matou o pai


O advogado Francisco Zavascki (Filho de Teori)



O advogado Francisco Zavascki disse que não cogita, no momento, que uma sabotagem tenha sido a causa do acidente que matou o pai dele, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Teori Zavascki. O ministro foi uma das vítimas da queda de um avião em Paraty, litoral sul do Rio de Janeiro, no final da tarde de hoje (19).

No ano passado, Francisco chegou a publicar um texto nas redes sociais afirmando temer que algo acontecesse ao pai, que era relator da Operação Lava Jato no STF. “Eu realmente temia, mas agora isso não está passando pela cabeça de ninguém. Acho que fatalidades acontecem. Paraty, chuva. O avião arremeteu, e é isso aí. Deu zebra”, afirmou.

Em conversa por telefone com a Agência Brasil, o advogado contou que ficou sabendo da tragédia por meio do grupo da família no aplicativo de mensagens WhatsApp. “O meu cunhado perguntou se o pai estava em Paraty, porque havia caído um avião. Ficamos assustados e começamos a correr atrás da informação, até que confirmamos que o pai estava no vôo. Esperamos por um milagre mas ele não aconteceu”, relatou Francisco.

O filho do ministro disse que não está em condições psicológicas de acompanhar a comoção nacional causada pela tragédia, mas ressaltou que o Brasil perdeu um grande juiz. “Uma pessoa que não tem medo, uma pessoa que tem postura de juiz. Infelizmente, abre-se um hiato muito perigoso agora”, completou, referindo-se aos processos da Operação Lava Jato que estavam sob responsabilidade do pai.

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Dono do avião tentou trancar no STF ação por crime ambiental em Paraty

Amigo de Teori fez construções que tornaram ilha “aprazível para o deleite particular”





Por Kiko Nogueira

O bimotor em que morreu Teori Zavasck pertencia ao empresário Carlos Alberto Filgueiras, dono do Emiliano, um dos primeiros hotéis butiques do Brasil, no coração da rua Oscar Freire.

Segundo o colunista Lauro Jardim, do Globo, a amizade entre eles começou num período em que Teori “passou a ir com frequência a São Paulo a partir de 2012, quando sua mulher, Maria Helena, iniciou um tratamento de câncer”.

Todas as vezes se hospedava no hotel. Ali os dois teriam se conhecido. Eram “companheiros de papo”, aponta Lauro.


O DCM apurou que Filgueiras responde a diversas ações cíveis e criminais.

Uma delas corre no RJ e teve o recurso negado no STF, com relatoria de Edson Fachin.




Ele promoveu “ilicitamente edificação” no lugar, que “integra a Área de Preservação Ambiental (APA) Cairuçu, situada em Paraty/RJ, criada pelo Decreto Federal 89.242/83.”


Tinha uma fazenda chamada Itatinga, onde dava festas que ficaram famosas. Chegou a receber a comenda “Amigos da Marinha” num cerimonial conduzido por autoridades da corporação e por agentes da Capitania dos Portos.

Adquiriu a propriedade em agosto de 2002 de Alain Jean Costilhes, autor de livros de numismática. Tempos depois, começou a realizar obras para erguer uma mansão.

“Não bastasse, também em data incerta, mas compreendida entre o dia 28 de julho de 2008 e 27 de janeiro de 2011, os denunciados promoveram diversas edificações no local, em especial as residências de grande porte.”

Teria sido construída até uma “praia artificial”.

Imagens do Google foram usadas pelo Ministério Público. Trecho da denúncia afirma que a ilha “se tornou mais aprazível para o deleite particular”
.
Teori, tão cioso da sua imagem, estava viajando no avião de alguém que está em julgamento no Supremo, rumo, ao que tudo indica, a uma propriedade no centro de um crime ambiental.
Perguntas?





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Maria Hilda e Maíra, mãe e filha matogrossenses que morreram no acidente de Teori 


Diário do Centro do Mundo 


Duas matogrossenses, mãe e filha, são as mulheres que morreram no acidente de Teori Zavascki, relata a imprensa local.

Uma delas chegou a sobreviver à queda por instantes. Segundo o Corpo de Bombeiros, bateu no vidro do avião pedindo socorro, mas afogou-se antes que pudesse ser resgatada com vida.

A mãe, Maria Hilda Panas, 55, morava em Juína, e foi visitar a filha, Maíra Panas Helatczuk, 23, que era massoterapeuta e trabalhava no hotel do empresário Carlos Alberto Filgueiras, que estava na aeronave.

Ela atendia os hóspedes e também o empresário, que sofria do ciático segundo o site Poder360. Uma amiga de Maíra confirmou as mortes.

“A Maria Hilda tinha ido passar o aniversário com a filha. O aniversário dela foi dia 15 e o dono do hotel deu esse passeio a Paraty a Maria Hilda porque ele gostava muito da Maíra, eles tinham uma relação muito boa, uma relação paternal”, informou.

“Na madrugada, uma amiga da Maíra ligou dizendo que havia conseguido falar com um piloto que estava por dentro do caso e passou essa informação sigilosa de que de fatos as duas embarcaram no avião”.



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quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

A imagem de um país dominado por máfias


Os golpistas não estão destruindo somente a economia, os direitos sociais, a Petrobrás, a engenharia nacional, os empregos e a soberania do Brasil, mas estão legando ao mundo a imagem de um país dominado por máfias. É preciso virar urgentemente esta página tenebrosa da história do Brasil; é urgente eleição direta já! 





A imprensa internacional, à diferença da brasileira, assinalou com realismo os passos da conspiração da oligarquia brasileira que redundou no golpe de Estado jurídico-midiático-parlamentar perpetrado através do impeachment fraudulento da Presidente Dilma.

Um analista português especializado em Brasil resumiu com notável precisão o contexto da aprovação do impeachment inconstitucional pelos deputados em 17 de abril de 2016: “uma assembléia geral de bandidos comandada por um bandido chamado Eduardo Cunha”!

A carnificina nos presídios do país – 142 presos mortos em 15 dias – colocou o Brasil em evidência no mapa da estupidez humana. A mídia internacional repercute enormemente esses eventos medievais, e alude que a guerra de máfias nas prisões acontece em meio à depressão econômica, e em meio à profunda degradação ética, moral e tremenda impopularidade do Temer. Avalia-se que essa conjunção explosiva é fator potencial de instabilidade política e social.

A barbárie nos presídios desnuda a falência absoluta do sistema de execução penal, assim como do arcaico código de processo penal, que castiga com privação de liberdade inclusive crimes famélicos e consumo de drogas.

Esta barbárie evidencia, ainda, o retumbante fracasso de um Poder Judiciário remunerado a peso de ouro, muito acima do teto constitucional, e que goza mais de 60 dias de férias por ano, enquanto metade da população carcerária brasileira, em prisão provisória, apodrece em masmorras medievais sem julgamento e, menos ainda, condenação judicial.

O episódio é um alerta da vulnerabilidade da sociedade às máfias criminosas que comandam e organizam o crime organizado tanto de dentro, como de fora dos presídios, dispondo de recursos bélicos e de comunicação mais sofisticados que as Polícias.

O governo federal tem responsabilidade por este desfecho. Ignorou os pedidos de socorro dos governadores no ano passado e agora, no momento crítico dos acontecimentos, faz propostas equivocadas, aumentando o risco de esparrame do caos para todo sistema penitenciário.

A matança nos presídios acontece no momento em que o governo é avariado por mais um grave escândalo de corrupção: a revelação da máfia criminosa de Eduardo Cunha e Geddel Vieira Lima, outro comandante do quartel-general do Temer na conspiração.

Desde o início do governo golpista em 12 de maio de 2016, quase uma dezena de autoridades foi demitida por desvios éticos ou corrupção – um recorde de praticamente duas demissões a cada mês.

A outra parcela do governo que ainda não foi defenestrada, a começar pelo próprio Temer e demais sócios – o “primo” Eliseu Padilha e o “angorá” Moreira Franco – é denunciada na Lava Jato e em outros crimes, e poderá ser processada.

Essa confluência de eventos transmite ao mundo a péssima idéia de que o Brasil está dominado por máfias, foi entregue à bandidagem – na política, na economia e nos presídios.

Já não adianta a promessa de redução de juros, de retomada do crédito e dos estímulos econômicos; tampouco ajuda a projeção de crescimento de 3,4% do PIB mundial no ano e a oração fervorosa, porque a economia destruída pelo PMDB, PSDB e aliados não sairá da depressão profunda enquanto o governo ilegítimo estiver ocupando o Palácio do Planalto.

Somente um governo legitimado pelo sufrágio popular terá confiança e condições de retirar o país desta catástrofe econômica, social e humanitária. O Brasil precisa urgentemente de eleições diretas.

Os golpistas não estão destruindo somente a economia, os direitos sociais, a Petrobrás, a engenharia nacional, os empregos e a soberania do Brasil, mas estão legando ao mundo a imagem de um país dominado por máfias.

É preciso virar urgentemente esta página tenebrosa da história do Brasil; é urgente eleição direta já!

Fonte Vi o Mundo


O QUE É UM COXINHA MIDIOTA?

SE VOCÊ NÃO SABE EU VOU EXPLICAR:

O coxinha midiota é aquele sujeito que se pinta de verde e amarelo e sai pelas ruas batendo panelas para colocar no poder uma quadrilha de ladrão que irá roubar os seus direitos.





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terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Reflexões de uma batedora de panela, seis meses depois.


Ali, na sua cozinha, tramontina na mão, naquele momento de rememoração e reflexão, já se tinham passado mais de seis meses desde a queda de Dilma. Mas e o paraíso prometido, onde fora parar? Vânia batera a panela contra a corrupção, mas Temer e a turma que tomara o poder não significavam exatamente um choque de ética política. Na economia, as coisas não podiam estar piores. Vários colegas de Vânia de gerência na Riachuelo tinham sido demitidos nos últimos dias. Cada vez que o chefe a chamava ela tinha um tremor. Achava que chegara a sua hora de ser despedida.
 


Por Paulo Nogueira

Vânia olhou para a sua panela tramontina roxa ali guardada no fundo do armário da cozinha.

 Foi um olhar em que havia ao mesmo tempo melancolia e frustração.

Não era uma panela qualquer. Era aquela que Vânia usara nos protestos contra Dilma. Escolhera-a por ser leve e barulhenta. Perfeita, portanto, para a ocasião.

A panela remetia a Dilma. Vânia, naqueles dias de panelaço, abominava Dilma.

Dilma era um obstáculo para o Brasil, para os brasileiros. Quando gritava “Fora Dilma”, Vânia tinha certeza de que bradava pelo progresso nacional.

Vânia era gerente de uma loja da Riachuelo. O dono da cadeia dissera à imprensa que, Dilma saindo, as coisas logo se ajeitariam na economia nacional. Questão de dias.

Era o que todo mundo dizia, aliás. Vânia lia a Veja toda semana. Não perdia um Jornal Nacional. Deixava horas e horas a GloboNews ligada na tevê de sua casa. No trânsito, a rádio de seu carro oscilava entre CBN e Jovem Pan.

Considerava-se, modéstia à parte, uma mulher muito bem informada.

Todo mundo que ela admirava na imprensa concordava em que Dilma tinha que cair.

Vânia pegou a tramontina roxa nas mãos e como que voltou no tempo. Sentia que estava fazendo história ao participar dos panelaços. Com a panela nas mãos, naquelas noites, era tomada de uma euforia quase sexual.

Tinha que dar certo — e deu. Dilma enfim caiu.

Todos os problemas agora estavam resolvidos.

Ou não?

Ali, na sua cozinha, tramontina na mão, naquele momento de rememoração e reflexão, já se tinham passado mais de seis meses desde a queda de Dilma.

Mas e o paraíso prometido, onde fora parar?

Vânia batera a panela contra a corrupção, mas Temer e a turma que tomara o poder não significavam exatamente um choque de ética política.

Na economia, as coisas não podiam estar piores. Vários colegas de Vânia de gerência na Riachuelo tinham sido demitidos nos últimos dias. Cada vez que o chefe a chamava ela tinha um tremor. Achava que chegara a sua hora de ser despedida.

Naquele dia do reencontro com a tramontina roxa, Vânia pensou também em Dilma.

Será que ela era mesmo aquele monstro que pintaram?

Vira algumas entrevistas com ela depois do impeachment. Chamou sua atenção a forma como ela, Dilma, se referia aos pobres. Era uma simpatia que parecia ser genuína, e que como que tinha o poder de contagiar.

“Um país tão rico com tantos pobres não pode dar certo”, Vânia se pegou um dia refletindo. Isso nunca aconterera antes.

Vânia passara a ver Dilma de outra forma.

Teria sido vítima de uma trama de homens corruptos e muito ricos, como ela dizia?

Talvez sim, talvez não, pensou Vânia, panela na mão.

De repente, num impulso irresistível, atirou a tramontina contra a parede.

E lhe ocorreu que caso encontrasse Dilma na rua lhe daria um abraço.

Não um abraço de desculpa, mas um gesto de solidariedade de mulher para mulher. “Acho que me usaram para te pegar”, talvez dissesse.

A história acima é uma mistura de ficção leve e realidade brutal.



O coxinha é um militonto tão midiota, ao ponto de acreditar piamente na falácia capitalista, que, se uma pessoa parar de reclamar, acordar cedo e trabalhar duro, ela pode se tornar mais um bilionário entre os oito mais ricos do mundo  





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O novo salto global da desigualdade


Políticas de “austeridade” ampliam concentração de riqueza. Oxfam denuncia: agora, oito homens já têm mais que a metade dos habitantes do planeta. Mas há alternativas


Rio Bhuriganga, em Dhaka (Bangladesh), destruído pelo despejo de resíduos industriais. A cidade é uma das que mais cresce no mundo e abriga transnacionais têxteis atraídas para lá por salários baixos e ausência de direitos sociais. É o caso da Zara, cujo fundador é um dos 8 homens mais ricos do mundo

Outras Palavras

Por Oxfam | Imagem: Sara Distin

Estamos criando condições para recuperar o país e voltar a crescer, diz o presidente Michel Temer – e repetem os jornais – a cada medida adotada para reduzir o investimento social, eliminar direitos previdenciários, “simplificar” as exigências das leis trabalhistas e, supostamente, “equilibrar” as contas públicas. Exatamente como Temer agem, desde a crise de 2008, quase todos os governantes do mundo. “Austeridade”, “ajustes fiscais”, “apertar os cintos” tornaram-se conceitos dominantes no jargão politico e econômico da última década. Qual foi o resultado?

Um relatório que acaba de ser divulgado pela organização internacional Oxfam – voltada ao estudo e denúncia da desigualdade – revela. Tais políticas permitiram que apenas oito homens possum a mesma riqueza que os 3,6 bilhões de pessoas que compõem a metade mais pobre da humanidade. O documento Uma economia humana para os 99% mostra que a diferença entre ricos e pobres aumenta a cada edição do estudo, numa velocidade muito maior do que a prevista. Os 50% mais pobres da população mundial detêm menos de 0,25% da riqueza global líquida. Nesse grupo, cerca de 3 bilhões de pessoas vivem abaixo da “linha ética de pobreza” definida pela riqueza que permitiria que as pessoas tivessem uma expectativa de vida normal de pouco mais de 70 anos.

“O relatório detalha como os grandes negócios e os indivíduos que mais detêm a riqueza mundial estão se alimentando da crise econômica, pagando menos impostos, reduzindo salários e usando seu poder para influenciar a política em seus países”, afirma Katia Maia, diretora executiva da Oxfam no Brasil.

Os números da desigualdade foram extraídos do documento Credit Suisse Wealth Report 2016. (Veja link abaixo.) Segundo a organização, 1 em cada 10 pessoas no mundo sobrevive com menos de US $ 2 por dia. No outro extremo, a ONG prevê que o mundo produzirá seu primeiro trilhardário em apenas 25 anos. Sozinho, esse indivíduo deterá uma fortuna tão alta que, se ele quisesse gastá-la, seria necessário consumir US$ 1 milhão todos os dias, por 2.738 anos, para acabar com tamanha quantia em dinheiro. O discurso da Oxfam em Davos também mostrará que 7 de cada 10 pessoas vivem em países cuja taxa de desigualdade aumentou nos últimos 30 anos. “Entre 1988 e 2011, os rendimentos dos 10% mais pobres aumentaram em média apenas 65 dólares (US$ 3 por ano), enquanto os rendimentos dos 10% mais ricos cresceram uma média de 11.800 dólares – ou 182 vezes mais”, aponta o documento.

“A desigualdade está mantendo milhões de pessoas na pobreza, fragmentando nossas sociedades e minando nossas democracias. É ultrajante que tão poucas pessoas detenham tanto enquanto tantas outras sofrem com a falta de acesso a serviços básicos, como saúde e educação”, reforça Katia Maia.

O relatório destaca ainda a situação das mulheres que, muitas vezes empregadas em cargos com menores salários, assumem uma quantidade desproporcional de tarefas em relação à remuneração recebida. O próprio relatório do Fórum Econômico Mundial (2016) sobre as disparidades de gênero estima que serão necessários 170 anos para que as mulheres recebam salários equivalentes aos dos homens. Segundo o texto, as mulheres ganham de 31 a 75% menos do que os homens no mundo.

A sonegação de impostos, o uso de paraísos fiscais e a influência política dos super-ricos para assegurar benefícios aos setores onde mantêm seus investimentos são outros destaques do documento da Oxfam.

A Oxfam é uma confederação internacional de 20 organizações que trabalham em mais de 90 países, incluindo o Brasil, com o intuito de construir um futuro livre das desigualdades e da injustiça causada pela pobreza. Uma das características centrais de seu estudo é a postura não-contemplativa. A organização está empenhada em buscar alternativas que permitam construir “uma economia para os 99%”. Eis, a seguir, algumas de suas propostas para tanto.

Uma Economia Humana para os 99%
Outras conclusões do Relatório da Oxfam (Davos, 2017)

  • Desde 2015, o 1% mais rico detinha mais riqueza que o resto do planeta.i
  • Atualmente, oito homens detêm a mesma riqueza que a metade mais pobre do mundo.ii
  • Ao longo dos próximos 20 anos, 500 pessoas passarão mais de US$ 2,1 trilhões para seus herdeiros – uma soma mais alta que o PIB da Índia, um país que tem 1,2 bilhão de habitantes.iii
  • A renda dos 10% mais pobres aumentou em menos de US$ 65 entre 1988 e 2011, enquanto a dos 10% mais ricos aumentou 11.800 dólares – 182 vezes mais.iv
  • Um diretor executivo de qualquer empresa do índice FTSE-100 ganha o mesmo em um ano que 10.000 pessoas que trabalham em fábricas de vestuário em Bangladesh.v
  • Nos Estados Unidos, uma pesquisa recente realizada pelo economista Thomas Pickety revela que, nos últimos 30 anos, a renda dos 50% mais pobres permaneceu inalterada, enquanto a do 1% mais rico aumentou 300%.vi
  • No Vietnã, o homem mais rico do país ganha mais em um dia do que a pessoa mais pobre ganha em dez anos.vii
  • Uma em cada nove pessoas no mundo ainda dorme com fomeviii.
  • O Banco Mundial deixou claro que, sem redobrar seus esforços para combater a desigualdade, as lideranças mundiais não alcançarão seu objetivo de erradicar a pobreza extrema até 2030.ix
  • Os lucros das 10 maiores empresas do mundo somam uma receita superior à dos 180 países mais pobres juntos.x
  • O diretor executivo da maior empresa de informática da Índia ganha 416 vezes mais que um funcionário médio da mesma empresa.xi
  • Na década de 1980, produtores de cacau ficavam com 18% do valor de uma barra de chocolate – atualmente, ficam com apenas 6%.xii
  • A Organização Internacional do Trabalho (OIT) estima que 21 milhões de pessoas são trabalhadores forçados que geram cerca de US$ 150 bilhões em lucros para empresas anualmente.xiii
  • As maiores empresas de vestuário do mundo têm ligação com fábricas de fiação de algodão na Índia que usam trabalho forçado de meninas rotineiramente.xiv
  • Embora as fortunas de alguns bilionários possam ser atribuídas ao seu trabalho duro e talento, a análise da Oxfam para esse grupo indica que um terço do patrimônio dos bilionários do mundo tem origem em riqueza herdada, enquanto 43% podem ser atribuídos ao favorecimento ou nepotismo.xv
  • Mulheres e jovens são particularmente mais vulneráveis ao trabalho precário: as atividades profissionais de dois em cada três jovens trabalhadores na maioria dos países de baixa renda consistem em trabalho vulnerável por conta própria ou trabalho familiar não remunerado.xvi
  • Nos países da OCDE, cerca de metade de todos os trabalhadores temporários tem menos de 30 anos de idade e quase 40% dos jovens trabalhadores estão envolvidos em atividades profissionais fora do padrão, como em trabalho por empreitada ou temporário ou empregos involuntários em tempo parcial.xvii
  • A edição de 2016 do relatório anual do Fórum Econômico Mundial sobre as disparidades de gênero revela que a participação econômica de mulheres ficou ainda mais baixa no ano passado e estima que serão necessários 170 anos para que as mulheres recebam salários equivalentes aos dos homens.xviii
Sugestões da Oxfam para uma economia mais humana
1. Governos que trabalhem para os 99%
2. Incentivo à cooperação entre os países
3. Modelos de empresas com melhor distribuição de benefícios
4. Tributação justa à extrema riqueza
5. Igualdade de gênero na economia humana
6. Tecnologia a serviço dos 99%
7. Fomento às energias renováveis
8. Valorização e mensuração do progresso humano
Links:

Credit Suisse Wealth Report 2016 – 


Bilionários da Forbes –


Notas
iiCálculos da Oxfam baseados na riqueza dos indivíduos mais ricos segundo a lista anual de bilionários da Forbes e a riqueza dos 50% mais pobres segundo o relatório Global Wealth Databook do Banco Credit Suisse (2016)

ivD. Hardoon, S. Ayele, e Fuetes Nieva, R., (2016), “Uma Economia para o 1%”. Oxford: Oxfam. http://policy-practice.oxfam.org.uk/publications/an-economy-for-the-1-how-privilege-and-power-in-the-economy-drive-extreme-inequ-592643 Versão em português disponível em https://www.oxfam.org.br/noticias/relatorio_davos_2016

vCálculos da Ergon Associates baseados em dados sobre os salários de diretores-presidentes estimados pelo High Pay Centre e os pacotes médios de benefícios oferecidos a trabalhadores. 

viiNguyen Tran Lam. (2017, no prelo), “Even It Up: How to tackle inequality in Vietnam”. Oxfam.

viiiO Programa Mundial de Alimentos estima que 795 milhões de pessoas no mundo não têm comida suficiente para levar uma ativa saudável. Isso é cerca de uma em cada nove pessoas na terra. https://www.wfp.org/hunger/stats 

ixBanco Mundial (2016), “Poverty and Shared Prosperity 2016: Taking on Inequality”, Washington DC: Banco Mundial doi:10.1596/978-1-4648-0958-3. http://www.worldbank.org/en/publication/poverty-and-shared-prosperity

xGlobal Justice Now. “Corporations vs governments revenues: 2015 data”. http://www.globaljustice.org.uk/sites/default/files/files/resources/corporations_vs_governments_final.pdf

xiM. Karnik. (6 de Julho de 2015). “Some Indian CEOs make more than 400 times what their employees are paid”. Site da Quartz India. http://qz.com/445350/heres-how-much-indian-ceos-make-compared-to-the-median-employee-salary/

xiiiProtocolo da OIT relativo à Convenção sobre o Trabalho Forçado de 2014. http://www.ilo.org/dyn/normlex/en/f?p=NORMLEXPUB:12100:0::NO::P12100_ILO_CODE:P029

xivAs empresas implicadas em um estudo realizado em 2012 pela ONG Anti-Slavery International intitulado “Slavery on the High Street: Forced labour in the manufacture of garments for international brands” incluem Asda-Walmart (Reino Unido/Estados Unidos), Bestseller (dinamarquesa), C&A (alemã/belga), H&M (sueca), Gap (americana), Inditex (espanhola), Marks and Spencer (Reino Unido), Mothercare (Reino Unido) e Tesco (Reino Unido) http://www.antislavery.org/includes/documents/cm_docs/2012/s/1_slavery_on_the_high_street_june_2012_final.pdf

xvD. Jacobs. (2015). “Extreme Wealth Is Not Merited”. Documento para Discussão da Oxfam. https://www.oxfam.org/en/research/extreme-wealth-not-merited

xviOIT (2015). “Global Employment Trends for Youth 2015”. pág. 49.

xviiOCDE (2015), “In It together: Why Less Inequality Benefits All”. Paris: OECD Publishing. DOI: http://dx.doi.org/10.1787/9789264235120-en

xviiiWorld Economic Forum. (2016). ‘The Global Gender Gap Report’. http://www3.weforum.org/docs/GGGR16/WEF_Global_Gender_Gap_Report_2016.pdf

 Fonte Outra Palavras
 
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segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

ANO DA ESPERANÇA E DOS SONHOS, OU DA VERGONHA E DOS RETROCESSOS


O Brasil, que saiu da ditadura, mas nunca chegou à democracia, se prepara um 2017 em que pode aprofundar sua crise política e social ou apontar para a redemocratização, via eleições diretas. O ano será de disputa aberta entre ser de continuidade da vergonha, ou de renascimento da esperança e do sonho.




Rede Brasil Atual

Por Emir Sader, para a RBA

Este é um ano decisivo porque de transição, entre o golpe de 2016 e o que deve ser o ano das novas eleições presidenciais, em 2018. Pode ser o ano da consolidação do governo golpista, caso ele consiga blindar o processo eleitoral, eliminando Lula da disputa, ou pode ser a preparação do cenário de recuperação, por parte do povo, do direito de eleger por via direta, de novo, o presidente do país.

O Brasil saiu da ditadura, mas nunca chegou à democracia. O caráter predominantemente liberal da transição à democracia fez com que esta fosse um processo limitado às estruturas políticas – descentralizando o poder em torno do Estado, restabelecendo a autonomia dos três poderes da República, promovendo os processos eleitorais, a diversidade partidária, entre outras medidas.

Mas as estruturas profundas do poder na sociedade não foram afetadas, não foram democratizadas e, ao contrário, consolidaram os poderes monopolistas. Assim aconteceu com os latifúndios sobre a terra, com a concentração do sistema bancário em torno de alguns poucos bancos privados, assim como com os meios de comunicação que, por meio do mandato de cinco anos de Antonio Carlos Magalhães no Ministério das Comunicações (de 1985 a 1990), consolidou o poder dominante da Globo.

Os anos 1990, a década neoliberal, sasó fortaleceu a esses poderes, em especial projetando o sistema financeiro como o eixo central da economia do país. Com isso, as desigualdades só aumentaram e a sociedade brasileira nunca foi tão anti-democrática, porque nunca foi tão injusta.

Foi preciso esperar vários anos até que o país passasse pelo mais profundo processo de democratização da sua história, com a inclusão social, pelo reconhecimento dos seus direitos básicos, da grande maioria da sua população, a partir de 2003. Porém, foi um processo que não conseguiu quebrar a hegemonia que o capital especulativo havia assumido na economia. Assim como não conseguiu reformar o sistema político e democratizar os meios de comunicação.

Foi a conjunção desses elementos da herança recebida pelos governos do PT que terminou levando a direita a dar o golpe de 2016. Depois de 12 anos de avanços sociais e de estabilidade política, vieram anos de instabilidade institucional e de crise social, acompanhada da maior depressão econômica que o país já conheceu. O ano de 2014 foi da dura disputa eleitoral, 2015 foi o ano da preparação do golpe e 2016, o da sua realização.

Como se anuncia 2017? Um olhar sobre os primeiros acontecimentos pode fazer crer que ele seja um ano de continuidade de 2016, com a aprovação do cruel pacote de medidas do governo, apoiado sobre sua maioria parlamentar, a blindagem que lhe propicia a mídia e o silêncio cúmplice do Judiciário.

Também é o ano em que a direita pretende inviabilizar a candidatura de Lula, a grande iniciativa que, apoiada no sucesso dos governos do PT e da enorme popularidade do ex-presidente, coloca obstáculos aos retrocessos protagonizados pelo governo golpista.

Mas o ano também pode ser de um aprofundamento ainda maior da crise social e da consolidação como alternativa política da oposição. Porque o governo pode não conseguir aprovar todas as suas iniciativas, diante do enfraquecimento do seu apoio parlamentar, como aponta a derrota na negociação das dívidas dos estados.

Assim como o acúmulo de denúncias sobre Temer e membros do seu governo pode contribuir para debilitar sua capacidade de ação. A depressão econômica, por sua vez, tende a disseminar o descontentamento, não apenas entre os que se opuseram ao golpe, mas também entre os que se vão dando conta do fracasso e da incompetência de um governo corrupto.

Quanto às ações contra a pré-candidatura de Lula, a direita conta com a condenação em primeira e segunda instâncias, comandadas arbitrariamente pelos gestores da operação Lava Jato, como forma de inviabilizar que participe da disputa o amplo favorito nas pesquisas presidenciais, além de consagrado como, de longe, o melhor presidente que o Brasil já teve.

Mas pode-se fazer de tudo com medidas arbitrárias, menos contrapor-se ao amplo respaldo popular com que Lula conta. Há dois movimentos que tendem a chocar-se: o da operação Lava Jato e o do fortalecimento do ex-presidente. Haverá um impacto frontal entre eles? Algum dos dois campos piscará?

Há sintomas de que o campo da direita já não conta com a unidade que tinha. A mídia tem cada vez mais dificuldade para seguir apoiando amplamente o governo Temer. A Folha de S.Paulo e até o próprio ex-presidente Fernando Henrique Cardoso se pronunciaram por eleições diretas, aderindo à tese da ilegitimidade do governo Temer para seguir adiante, bem como a de um Congresso com centenas de parlamentares envolvidos em acusações de corrupção, para eleger um novo presidente.

O ano será de disputa aberta entre ser de continuidade da vergonha, ou de renascimento da esperança e do sonho.

Fonte Rede Brasil Atual

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domingo, 15 de janeiro de 2017

MODERNIDADE LÍQUIDA


Um sincero arrependimento sobre os erros e “barcos furados” é recomendável e faz bem, a correção de rumos muito mais ainda, isso, porque existe espaços para a restauração da democracia que nos foi roubada. Já tenho visto cidadãos comuns, que se vestiram de verde e amarelo, que produziram vídeos no Youtube e reproduziram os discursos dos Bolsonaros e nazi-doidos, admitindo que perderam. É como diz um ditado: “Errar é humano”, mas permanecer nesse erro, mais do que burrice, é uma cretinice diabólica.




Por Antonio Cavalcante Filho 



Percebo que os coxinhas e os mentores do golpe contra a democracia entraram em parafuso porque a combinação não funcionou, o produto “vendido” não pode ser entregue. Cassaram o mandado de uma mulher eleita de modo legítimo, colocaram uma quadrilha no poder, cuja primeira iniciativa foi desarticular a CGU (Controladoria Geral da União), órgão que investigava e punia a corrupção.

Um dos objetivos do golpe era entregar o Brasil e suas riquezas para os ianques, mas com a eleição do bobalhão do Donald Trump para a presidência dos Estados Unidos, os golpistas não sabem o que fazer. E o país caminha para o buraco em ritmo acelerado.

Mato Grosso também é vítima, inclusive porque Pedro Taques se orgulha de apoiar os golpistas Aécio Neves e Michel Temer desde sempre, o que é um absurdo, alguém se autoproclamar “legalista”, “moderno” e apoiar políticas ultraconservadoras que acreditávamos já superadas em nosso país, principalmente os golpes.

Trago o título da obra do filósofo e sociólogo polonês Zygmunt Bauman, que nos deixou na última semana, para discorrer sobre as tendências que vejo para este ano de 2017, em relação à administração do poder Executivo de Mato Grosso, sob a batuta de Pedro Taques, que desde o início do seu mandato (mesmo que na campanha tenha se apresentado como o “novo”), já apontava que uma onda conservadora que se abateria sobre o nosso Estado. E, assim, o que era para ser o “novo”, de repente se fez tão velho, retrógrado e antiquado que até mesmo práticas que imaginávamos há muito terem sido extintas, venham agora ressuscitar, tal qual um “Retorno das Múmias”.

No livro a que me refiro, no título Bauman entendia que a “Modernidade Líquida” compreende um período de intensa mudança na humanidade, tudo que era sólido se liquidificou. De acordo com o conceito, segundo o autor, “nossos acordos agora são temporários, passageiros, válidos apenas até novo aviso”.

É a visão pessimista que tenho do governo estadual, diante do acúmulo histórico destes dois anos de mandato de Taques, somadas as trapalhadas de alguns assessores, a maluquice de outros, a incompetência de muitos deles, e a desonestidade dos que estão presos (e de outros que deverão conhecer o xilindró muito em breve). Isso se o promotor e a juíza deixarem de absolver uns por antecipação!

Veja bem.

Na campanha eleitoral, o atual governador falava com críticas ácidas sobre os tais excessos de arrecadação e o envio de recursos financeiros extraordinários para a Assembleia Legislativa, mas isso não mudou nada com a “nova direção”. Os deputados continuam recebendo mimos representados por repasses polpudos, que aumentam conforme são necessários mais votos para os projetos que ele pretende aprovar. Nem sempre esses projetos são os melhores para os trabalhadores, e menos ainda para Mato Grosso.

E, para piorar, Taques dá os mesmos “excessos de arrecadação” (que é muita grana) para o Tribunal de Justiça, o Tribunal de Contas e para algumas empresas de comunicação. Estas levam R$ 70 milhões, quase o dobro dos R$ 40 milhões que Silval repassava.

Com relação à secretaria de Educação, ressalvado que ainda não se puniu o rombo criado por uma quadrilha que ali se instalou para dar vazão aos interesses do PSDB em custear a campanha eleitoral, num caixa 2 que o Tribunal Eleitoral finge que não sabe, é boa a notícia de que será aberto concurso público para a área de técnicos e professores. Mas é estranho existirem 15 mil contratados e o concurso só oferecer umas 3 mil vagas, o que pode significar que está se “jogando pra torcida”, uma simulação de que se deseja fazer a coisa certa, quando na verdade não existe uma réstia sequer de boa intenção.

O Detran é um caso à parte, uma autarquia que já foi referência em bom atendimento e qualidade na prestação de seus serviços, em matéria de tecnologia e era motivo de orgulho para o nosso povo. Imaginando que era boa ideia colocar um delegado de Polícia na gestão daquele órgão, e que tudo iria melhorar da noite para o dia, decidiu Taques estender os poderes da Delegacia Fazendária ao Departamento de Trânsito, e essa burrada penaliza a sociedade todos os dias.

Delegado de Polícia é competente para fazer gestão de inquérito policial onde há a supremacia estatal, o poder de requisitar, enfim, não se trata de um produto que requeira as habilidades de um administrador (que trata com gentes, servidores e usuários do serviço público). Portanto, delegado de Polícia não é gestor e isso explica porque houve o fechamento de diversas unidades de atendimento descentralizadas, em que os serviços de vistoria, emplacamento de veículos e outros, eram prestados para a sociedade.

Na época o sindicato dos servidores do Detran protestou contra as medidas, e pediu inclusive um concurso público e a nomeação e servidores comprometidos com o serviço. Em troca disso seus dirigentes sofreram perseguição do governador. A bem da verdade, o ex-governador que está “de férias” no presídio também tinha o sindicato como desafeto, quando este denunciava as irregularidades e pedia respeito aos trabalhadores e aos contribuintes.

Há coisas que “não Consignum” entender.

Por que a pessoa compra um veículo financiado e precisa pagar uma taxa de R$ 120 reais para registrar um tal gravame. Esse dinheiro é embolsado por uma empresa particular, mas quase nada fica com o Estado? O processo de registro de gravame (financiamento) é simples, basta digitar nos computadores do Detran e isso poderia ser feito por servidores do órgão.

Mas a burocracia é tanta que até mesmo uma assinatura em documento feita diante do servidor do Detran e, no interior do órgão, precisa ser levada a reconhecimento de cartórios extrajudiciais. Há documentos que são produzidos pelo Detran, que estão na base de dados do órgão, que o contribuinte precisa autenticar, se não o processo não anda.

Por que isso, “seo” Taques?

Paro por aqui a análise de setores emperrados da gestão Taques, e continuo em outro momento, porque o acervo de erros é grande e todo dia é ampliado.

Gestão se faz com competência, amor à causa e conhecimento. Nomear amigos, pessoas investigadas por improbidade, políticos sem qualquer preparo, não irá em nada melhorar a imagem de Taques perante a sociedade. Nem que gaste mais R$ 70 milhões com pagamento pela “limpeza” por meio de propaganda.

O fim dos penduricalhos do tipo dos gabinetes extraordinários, cessar a distribuição de cargos de chefia a políticos e partidos, é uma medida que se espera. A taxação do agronegócio é outra decisão que precisa ser tomada, custe o que custar. São bilhões que escapam dos cofres todos os anos com a farra fiscal (isenções, incentivos fiscais etc.).

Fecho com uma frase de Bauman, sobre as políticas de distribuição de renda no Brasil concedida ao jornalista Alberto Dines, em 2015: “Vocês estão no caminho certo e eu espero de todo o meu coração que vocês cheguem lá. Eu apenas direi que os representantes de 66 governos do mundo vieram para o Rio de Janeiro para se consultarem, para aprenderem sobre a experiência de retirar 22 milhões de pessoas da pobreza. Ninguém mais repetiu esse milagre, só o Brasil. Desejo que continuem isso, mas também agora algumas deficiências estão vindo à tona”.

Mesmo tantas vezes atacados por Pedro Taques, em razão do seu apoio ao golpe e a Aécio Neves, não há dúvidas de que os governos Lula/Dilma fizeram muitas coisas boas para o Brasil e seu povo, que agora, paulatinamente, vem sendo destruídas pelo que há de pior na politicalha brasileira. Mas o excesso de incompetência, a falta de preparo e a carência de vergonha na cara dos golpistas já começam a ser demonstradas à luz do dia.

Um sincero arrependimento sobre os erros e “barcos furados” é recomendável e faz bem, a correção de rumos muito mais ainda, isso, porque existe espaços para a restauração da democracia que nos foi roubada. Já tenho visto cidadãos comuns, que se vestiram de verde e amarelo, que produziram vídeos no Youtube e reproduziram os discursos dos Bolsonaros e nazi-doidos, admitindo que perderam. É como diz um ditado: “Errar é humano”, mas permanecer nesse erro, mais do que burrice, é uma cretinice diabólica.

Antonio Cavalcante Filho, cidadão, escreve às sextas feiras neste Blog. E-mail: antoniocavalcantefilho@outlook.com

Fonte RD News

A VERDADE É ESTA:

Os coxinhas paneleiros encolerizados e analfabetos políticos, que bradavam o "Fora Dilma", estavam cagando e andando contra a corrupção. No fundo dos seus cérebros vazios de conhecimento e de solidariedade, o que sentiam na realidade, era ódio contra a inclusão social.





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